MUDRAS E SEUS SIGNIFICADOS

Mudrā (Sânscrito, मुद्रा, literalmente "selo"; 印相 inzō em Japonês). Assim como os mantras, também os mudras funcionam como "chaves" que acionam forças superconscientes para benefício do homem. Apesar de conhecidos originalmente em todas as tradições religiosas, eles fazem parte do lado interno de cada tradição, por isso são desconhecidos daqueles que praticam apenas a forma mais superficial das religiões.

Os mudras na cristandade

Para surpresa ocidental, Jesus aparece em gestos (mudras) em algumas pinturas cristãs, como podemos ver mais abaixo dois exemplos mais conhecidos. Isso mostra que iconógrafos cristãos conhecem os significados dos mudras (gestos de poder) cuja origem é oriental (hinduísta e budista). Como a cristandade - em sua forma mais superficial (exotérica) - condena como heresia tudo o que não é considerado canônico (conforme as regras estabelecidas pela Igreja), tais expressões acabam "emergindo" nos ícones que funcionam como "válvulas de escape" dos níveis mais subliminares, verdades profundas, ligadas à natureza essencial do Ser (o Self), pois como símbolos superconscientes (nossa natureza real), não podem ser ocultados da humanidade por muito tempo.

Tudo que está oculto, será revelado

Por mais que a ortodoxia tente esconder, tornando herética ou satanizando as verdades mais profundas, elas encontrarão, cedo ou tarde, meios de vir à tona, "Porque não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz." (Lucas 8:17)

Eis o verdadeiro significado das palavras de Jesus. O conhecimento interior ou esotérico não foi ocultado dos homens senão pela própria autoproclamada ortodoxia cristã em sua visão exotérica defendida ao longo de dois milênios.

Esoterismo e exoterismo

Contudo, precisamos compreender a etimologia das palavras "esoterismo" e "exoterismo". O lado interno, místico (o contato direto com Deus), profundo das religiões é chamado de esotérico ("eso"=para dentro). Já o lado externo, superficial, doutrinal, sectarista, dogmático e sem a experiência direta com Deus é chamado de exotérico ("exo"=para fora).

Os verdadeiros santos cristãos são reconhecidos como místicos, homens e mulheres que tiveram o contato direto com a divindade, que comungaram com o Espírito. Jesus é o primeiro e o maior de todos místicos da cristandade, pois é o avatar do cristianismo (a encarnação do Pranava Om - o Verbo).

O autêntico esoterismo e o pseudo-esoterismo

De forma semelhante, precisamos compreender a diferença entre o autêntico esoterismo e o pseudo-esoterismo. O primeiro é a experiência mística, numinosa, é o êxtase divino, contemplativo, o samadhi ou satori, é a revelação direta do Espírito no qual o véu de ilusão se desfaz e o homem tem contato imediato com sua natureza real, mais profunda, que é Deus em nós e também fora de nós, como lemos no terceiro logion do Evangelho apócrifo de Tomé.

"Se vossos guias vos afirmarem: 'eis que o reino está no céu, então, os pássaros chegaram primeiro. Se vos afirmarem: 'eis que o reino está no mar, os peixes vos precederam. Eis que o reino de Deus está dentro de vós e fora de vós também, em toda a parte. Se vos conhecerdes a vós mesmos, sereis conhecidos, mas se não vos conhecerdes, sereis ilusão, e estareis na ilusão [maya]"

O Espírito é imanente e transcendente, pessoal e impessoal

O Espírito é a Força cósmica que permeia nossas almas (o Atman), mas que também a transcende, pois é o Espírito (o Manifestador Brahma e o Imanifestado Brahman). Por isso é dito que Ele é imanente e transcendente, Pessoal e Impessoal, estando dentro e fora de nós, em toda a parte.

"A Verdade Suprema existe fora e dentro de todos os seres vivos móveis e inertes. Porque é sutil, Ele está além do poder visual ou cognoscitivo dos sentidos materiais. Embora longe, longe, Ele também está perto de todos. Embora pareça estar dividido entre todos os seres, a Superalma nunca Se divide. Sua situação é sempre a mesma. Embora Ele seja o mantenedor de toda entidade viva, deve-se compreender que Ele devora e desenvolve tudo. Ela é a fonte de luz em todos os objetos luminosos. Ele está além da escuridão própria da matéria e é imanifesto. Ele é o conhecimento, o objeto do conhecimento e a meta do conhecimento. Ele está situado nos corações de todos."

(Bhagavad Gita XIII, vs. 16-18)

O pseudo-esoterismo

Já o pseudo-esoterismo são as práticas que trabalham apenas no nível inconsciente, seja individual ou coletivo, e não promove a elevação da consciência aos níveis superiores ou supra-conscientes. São as artes adivinhatórias, paranormais entre outras: cartomancia, astrologia, quiromancia, falar em línguas, ressuscitar os mortos, conhecer a língua dos anjos etc. Tais práticas revelam curiosidades presentes, passadas ou futuras, mas não levam o homem a Deus, à autorrealização.

Não apenas São Francisco de Assis ensinou que a verdadeira felicidade não se encontra em tais práticas (como lemos em "I Fioretti" de São Francisco), mas também o Buddha, Swami Shankara, Patânjali e grandes iluminados em diferentes tradições. Os poderes paranormais são parte do psiquismo humano, portanto, pertencem a todos, entretanto, o verdadeiro buscador espiritual, como afirmam os grandes mestres, deve ir além dos fenômenos, ao Reino do Espírito (a outra "margem", como ensinou Sidharta Gautama - Ver o Dhammapada budista).

Buddha Sidharta disse: "Que o indivíduo disciplinado prefira a conduta meditativa, em lugar da incessante atividade; comporte-se bem no lazer. Tendo optado pela quietude, seja ela a sua companheira. Não deve ele dormir demais, e, sim, ficar em plena vigilância; abstenha-se ele da preguiça, da mentira, da frivolidade, das competições físicas, da luxúria.

Não deve praticar magias, nem interpretar sonhos e presságios, nem praticar a astrologia.
Não façam, meus discípulos, predições baseadas no canto dos pássaros, não tratem as doenças por simpatias nem pratiquem o curandeirismo." (14º Sermão da Senda Rápida - Tuvathka Sutta - O livro das oitavas)

Esoterismo autêntico (nível superconsciente) e pseudo-esoterismo (nível inconsciente)

Portanto, a diferença entre o verdadeiro esoterismo e o pseudo está no nível de consciência, a superconsciência (esoterismo autêntico) e o inconsciente (pseudo-esoterismo). Carl G. Jung, pai da psicologia analítica e difusor da ideia do inconsciente coletivo escreveu a respeito do Tarô e o inconsciente. As artes adivinhatórias acessam o inconsciente coletivo - onde estão armazenadas informações akáshicas - e dali retiram elementos psíquicos que satisfazem a curiosidade humana.

Jung também trabalhou com as mandalas orientais e sua abordagem - entre todas as abordagens da psicologia contemporânea - é considerada a mais eficaz na cura de problemas psíquicos. De certa forma, o inconsciente e a superconsciência fazem parte do mesmo oceano do Ser (o Self), apesar de serem níveis vibratórios distintos.

Na superconsciência (quando se acessa o samadhi - a percepção de Deus), ao contrário do que ocorre no inconsciente, o yogi tem sua consciência expandida. Ele não perde a consciência, entrando na inconsciência, pelo contrário, a consciência daquele que acessa a chamada super ou supra-consciência é expandida e sua percepção alcança os confins do Universo. Passado, presente e futuro coexistem em sua percepção em expansão. Torna-se senhor de si mesmo, "submerso" em Consciência Cósmica.

Sua comunicação com o Infinito é direta, sem intermediários. Assim ocorreu com Ramakrishna, Swami Shankara, Vivekananda, Paramahansa Yogananda. Questionado por seu maior discípulo se ele via Deus, Ramakrishna respondeu: "Sim! Eu O vejo tão claramente quanto vejo você, só que de uma forma muito mais intensa."

O verdadeiro santo "bebe" na Fonte luminosa, "embriagado" pelo êxtase que o torna um Ser Crístico (Ungido pelo Espírito).

Os iconógrafos cristãos 

Mas, retornando à iconografia cristã, os iconógrafos são monges contemplativos (praticam a introspecção = meditação) e vivem para aperfeiçoar a palavra do Senhor por meio da pintura sacra. De certa forma, consciente ou não, eles tornam visíveis os sagrados gestos ("mudras"), demonstrando aos verdadeiros entendidos que o cristianismo místico se inspira na Fonte da superconsciência oriental.

O mudra que vemos nestes ícones de Jesus representa o amo ou compaixão.

Assista ao vídeo que fala mais a respeito dos mudras

Abaixo do vídeo, mais informações sobre os mudras

Alguns mudras mais conhecidos no budismo

Karana mudra - Este mudra responsável por expulsar energias maléficas tem sido associado - por cristãos fundamentalistas - a algo diabólico. A ideia do mal incutida no inconsciente coletivo ocidental nubla a razão e o coração por meio da religião do medo. Qualquer gesto, ainda que divino, é satanizado pela incompreensão a respeito do real sentido original.  

Este mudra emana energia para livrar o praticante de obstáculos como doenças ou pensamentos negativos.

A mão direita fica na altura do peito e virada para frente. O polegar tocas os dois dedos do meio, enquanto o indicador e o dedo mínimo são elevados para cima. E a mão esquerda repousa sobre o colo virada para cima. 

Vitarka mudra - é o mudra da sabedoria, pois inspira na transmissão do conhecimento. Quando se deseja transmitir o saber espiritual, esse mudra é indicado. O dedo indicador toca o polegar e os demais permanecem elevados.

Dhyana mudra - É um dos mudras mais conhecidos e utilizado na prática contemplativa. Representa o equilíbrio perfeito entre os hemisférios cerebrais, na junção da mão esquerda (sabedoria) com a mão direita (método). Promove a energia para a meditação profunda e unificação com as energias superiores.

Chin Mudra: Promove a união da alma individual (o Atman) com a Alma universal (o Espírito).

Ele facilita o fluxo de energia que percorre todo o corpo, ligando todos os pontos energéticos.

Abhaya mudra - É o mudra do destemor, dispersando o medo e produzindo sentimentos de benevolência, paz, e proteção. Foi esse gesto que Sidharta Gautama utilizou para vencer o demônio em forma de elefante (Girimekhala).

Ao se lançar com toda a sua fúria em direção ao Buddha, este ergueu a mão em gesto de paz, acalmando o demônio, derrotando-o por meio da benevolência. 

Mudras em combinação com a dança indiana

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